Setembro de 2013
DESABAFO
Levei anos, anos
mesmo, procurando uma forma de apresentar trabalho que venho desenvolvendo
usando fotografia de luzes deformadas, ou seja um suporte que conversasse com o
trabalho, que estivesse em harmonia com minha proposta e fizesse parte
integrante dela.
Eureka!!! Fazendo apenas
a transposição de situações, fácil, fácil, debaixo do meu nariz, difícil foi
achar esta facilidade toda.
Encontrei a forma de
apresentação que satisfaz minha exigência primária, em acrílico, fiz um ensaio
com três fotografias. Levei para a feira
ARTIGO estes três modestos módulos como um início de interação com o ambiente
de galeria. Vi que há necessidade de um aperfeiçoamento nesta apresentação, de
forma a não “magoar” a própria imagem que comporta.
Porém, mostrei esta
forma de exibir este projeto a uma pessoa “amiga”, que em muito me ajudou no
trazer e levar os trabalhos para a Feira, e qual não foi minha surpresa!!!!
Esta “amiga” apropriou-se
indebitamente de minha ideia para usar como moldura para seus quadros que não
conversam em nada com a matéria –
acrílico. Conversei amigavelmente e o
mais brandamente possível sobre este assunto com ela, que alegou desconhecer
meus objetivos e que a partir daquela data não mais faria uso do objeto. Me pediu em troca ajuda para inventar uma
moldura parecida - aqui registro que não
vejo como moldura, mas como parte integrante do trabalho que desenvolvo. Por
solidariedade, ajudei-a a pensar numa solução para ela e em acrílico já que era
o que desejava, na primeira tentativa de efetivar sua moldura apareceram
algumas dificuldades que deveriam ser enfrentadas por quem está disposto a
criar algo novo. E diante destas
dificuldades, em vez de enfrentá-las esta mui amiga me disse que desejava usar
minha criação como moldura e que se eu queria exclusividade deveria patenteá-la
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Incrível que no mundo
das artes tenha algum artista de patentear seu trabalho!
Me senti aí agredida
e percebi então que houve um abuso de amizade e da intimidade que dei a ela,
até por que, ensinei a ela e há bastante tempo, como é que eu faço as fotos,
dei o “pulo do gato”, ingenuamente.
Meu projeto ainda não
está pronto, nem vou correr com ele, pois tem seu próprio tempo, mas vou
denunciar e dar o nome da santa se encontrar pelo caminho qualquer coisa que se
parece com a chamada ‘moldura” e ou fotografias publicadas com as luzes
deformadas como eu faço!
É
triste que haja pessoas que se dizem artistas, que se dizem amigas, que copiam
o trabalho do outro antes mesmo dele ser publicado e nem vermelhas ficam.
É
triste que tenha eu de enfrentar esta apropriação indébita dentro do meu
próprio círculo de conhecidos!
É
triste ter de tomar uma atitude assim tão agressiva em defesa do meu
trabalho. Estou chocada, magoada, triste
mesmo, e um tanto desmotivada.
Marilú Andrasan
