TROCANDO EM MIUDOS - VIRTUALMENTE
Na
seara do relacionamento pessoal.
Venho
refletindo sobre o que é estar com o outro hoje em dia. Na era do e.mail, SMS,
Orkut, depois Facebook, cada dia se torna mais difícil o contato físico entre
as pessoas e seus relacionamentos.
Ano
passado me propus a quebrar esta virtualidade moderna e me prontifiquei a
visitar os amigos e conhecido, avisando logo que não queria ser servida de
bebidas e canapés, chás e torradas.
Queira apenas estar com o outro sem a necessidade de um pretexto que não
o puro estar.
No
Facebook percebi que tenho cerca de 150 amigos/conhecidos. Usei o telefone fixo
para combinar um encontro, a toa, despretensioso, sem nenhuma pauta a ser
cumprida. Por incrível que possa
parecer, só consegui visitar cinco pessoas.
As demais, ao longo do ano, tinham muitos compromissos, tinham viagens a
fazer (eu também viajei) e uma série de outros empecilhos que não permitiam
perder tempo com o simples estar com alguém.
Mas
todos estavam com tempo sobrando para falar ao telefone, ou pelo próprio
facebook, trocando comigo as novidades e experiências de vida que estavam
enfrentando no momento, as alegrias e agruras, as expectativas, etc. e tal. Conversas
para mais de uma hora.
TROCANDO
EM MIUDOS - VIRTUALMENTE!
Indo
para as relações de trabalho, de grupos de estudos, o problema se aguça!
É
a maior dificuldade marcar uma reunião com um grupo, ninguém tem tempo
disponível para uma reunião física, é uma dificuldade tremenda ajustar um
horário e um dia em que todos tenham disponibilidade sem atrapalhar seus
compromissos pessoais. Ninguém se dispõe a mexer em sua agenda para encaixar um
pequeno encontro físico.
Por
mais importante que seja esta reunião, para fechar roteiros e modus operandis, e até mesmo que seja
para efetuar rateio financeiro. MAS TODOS TEM DISPONIBILIDADE PARA UMA VIDEO
CONFERÊNCIA PELO SKYPE, PELO FACEBOOK, OU PELO GMAIL em qualquer hora do dia ou
da noite, de segunda a segunda! Tudo pode ser resolvido pela internete, até a
transferência de numerários.
TROCANDO
EM MIUDOS – VIRTUALMENTE!
Passo
agora para as relações familiares. Estas ainda possuem um resquício de relações
afetivas concretas, mas se o mundo ficou pequeno por um lado, por outro
possibilitou a diáspora familiar. Na busca de melhores oportunidades, de crescimento
, de emprego, e melhores condições de vida, o mundo se agigantou pois a família
não fica mais restrita a um território determinado, mas um território
globalizado, em que podemos estar a distâncias consideráveis que impedem as
relações afetivas concretas e físicas, e para manter a unidade familiar,
troca-se as reuniões familiares físicas pelo e.mail, sms,
facebook, skype.
TROCANDO
EM MIUDOS – VIRTUALMENTE
E
somente em algumas reuniões bem marcantes, como casamento e morte, a família se
reúne novamente, nestas ocasiões as distancias pouco importam. Fora disto, vez por outra, quando há
coincidência, uma reunião familiar pela páscoa, pelo natal, pelo aniversário de
um ou outro.
Costumo
encontrar os vizinhos apenas na fila do supermercado no centro da cidade, mas
não nos vemos na rua em que moramos.
Costumo encontrar os amigos nos ônibus urbanos ou intermunicipais, mas
não conseguimos nos encontrar onde nos conhecemos. Costumo encontrar a turma do trabalho apenas
quando estamos trabalhando juntos, estamos sempre fazendo algo que não diz
respeito a relação com o outro. Nunca há encontros marcados, fora dos contextos
que nos obrigam estar juntos.
Isto
tudo é uma constatação de como mudou as relações interpessoais no mundo atual,
como a realidade é cada dia mais virtual, mais elaborada, pouco impulsiva,
todos os atos mais estudados, um ser humano meio mascarado, em que os defeitos
ficam escondidos debaixo do mouse ou do teclado, pois a distância física
permite isto.
E
esta distância física é visível até quando se está perto, todo mundo de fone no
ouvido, só se ouve o que quer, e com a atenção auditiva cognitiva voltada para
o fone, não se presta atenção ao seu redor, não se vê, não se fala. Isto quando
não se está conectado aos smartfones, ipods, galaxis, etc. ...
A
sociedade se isolou com seus indivíduos voltados para dentro de si, como um
bando de robôs, mortos vivos, encapsulados com seus fantasmas, perambulando pelas ruas, pelos bares, pelos
bancos, pela vida.
TROCANDO
EM MIUDOS – VIRTUALMENTE.
Janeiro
de 2013
Marilú
Andrasan

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